Sobre desejos para a humanidade

A minha produção escrita caiu muito nos últimos meses. Há tanto tempo não ficava sem escrever durante um lapso de tempo tão grande quanto agora. Não que para o mundo isto faça diferença, mas para a minha alma, com certeza. A minha atividade profissional a cada dia me consome de uma forma mais eficiente e para tanto o meu tempo livre tem sido para descansar e buscar atividades para extravasar o estresse diário. Não que a escrita não seja uma atividade terapêutica, ela é útil sim, talvez a que me acompanha mais tempo. Mas é que meu corpo começou a pedir movimento, e tenho respondido a este chamado.

Tive uma terapeuta que certa vez me tranquilizou demais com este meu excesso de atividades. Não vou entrar em detalhes, mas as experiências são enriquecedoras para a nossa vida. E uma pessoa como eu, que tenho uma sede do tamanho do mundo, me vejo sempre ansioso em saber o que mais este mundo tem a oferecer. Penso que minha experiência vital básica é a do andarilho que sai para contar os casos do mundo, mas sem ter nada de prático na mão, que seja próprio. As glórias alheias, quando experimentadas no fundo da alma, tornam-se minhas.

Bem, não sei até quando isto é lá tão necessário nesta postagem, mas que a minha escrita, não esta linear, em um blog, mas a comunicação que eu mantenho reflita esta missão de fazer emergir nas pessoas ao menos uma vontade de permanecer viva já me deixa por satisfeito.

Setembro Amarelo: vou contribuir


Este mês de setembro é dedicado à conscientização e prevenção do suicídio. Foi iniciado em 2014 sob a orientação do Centro de Valorização da Vida - CVV. O suicídio, segundo estudos, é prevenível em 90% dos casos, restando à diferença questões de doenças mentais severas.

Um dos gatilhos mais comuns que ligam ao suicídio e que poderia ser evitado são questões de ordens psicológicas, dentre elas a depressão. E neste momento em que estamos no Setembro amarelo gostaria de dar uma pequena contribuição ao tema, falando sobre a Depressão, mas não de uma cátedra, e sim de minha experiência de vida. Convivo com a depressão já há muitos anos, e inclusive guardei durante um tempo certa carta de despedida. É certo que conheci muitas histórias de sofrimento por conta da depressão infinitamente piores que as minhas, porém cada um enxerga a própria dor como a maior de todos os tempos.

Farei uma série de textos contando de minha experiência, então espero que não entendam tudo isto como um receituário, mas uma partilha.

Livros: "Viver é a melhor Opção" - Parte 1

Com este post começo uma série de publicações que espero ser um fio condutor deste blogue: falar sobre leituras e audiências de assuntos que tratam da vida, do humano enquanto fome de viver.

Vou começar falando do Livro do jornalista André Trigueiro, chamado "Viver é a melhor opção - a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo" (clique aqui para ver no site do autor) O livro tem a 1a edição datada de maio de 2015.

Não me recordo como me interessei pelo jornalista André Trigueiro, apesar de já o conhecer da tevê. É claro que o tema do suicídio me chamou a atenção, além da abordagem a partir da Doutrina Espírita, que mesmo não sendo a minha confissão religiosa, é um assunto pelo qual eu também nutro uma curiosidade tremenda. Enfim, dois assuntos que juntos me moveram a comprar o livro imediatamente.

Como falar do suicídio? Eu experimentei o suicídio em minha família, no ano de 1994. O meu padrinho se matou com um tiro na boca, e diz-se que ele também assassinou uma outra mulher. Não quero entrar em maiores detalhes porém este cenário é suficiente para que os mais entendidos possam levantar já uma situação pela qual ele esteja vivendo. Pois bem, eu tinha 16 anos e ainda era muito ingênuo - acho que a maturidade demorou a chegar até mim - porém o assunto lá em casa foi tratado de forma bem serena, de sorte que ficasse somente a dor pela perda de alguém muito querido. Era o único parente que meu pai possuía na cidade, já que ambos vieram do interior de Minas Gerais tentar a vida já havia muito mais de vinte anos. 

Então o suicídio entrava como um fantasma na minha vida, juntando-se à leucemia (outro personagem que faz parte da minha experiência com a morte).

Anos depois experimentava uma depressão profunda. Já era um homem feito, com responsabilidades profissionais, sociais e familiares. Ocorre que a ideia de dar cabo à própria vida emergiu como possibilidade. Nada demais, nunca tentei me matar, porém iniciar uma carta de despedida e sentir-me apaziguado com a possibilidade de não mais estar entre os vivos acendeu uma luz ultra-amarela em minha vida, e foi quando busquei pela primeira vez ajuda médica.

Enfim, hoje tenho uma certa sensibilidade pelo tema suicídio, e a minha reação diante de um episódio onde alguém tira a própria vida é de profundo silêncio e respeito. Optei por não fazer julgamentos, tão pouco amenizar a situação. Em primeiro lugar o meu respeito pelos parentes enlutados, pela sensação dolorosa de perda mas também de decepção (outro dia comento sobre isso); e também um silêncio por conta de encaixar o que enxergávamos daquela pessoa para não compreender o porquê de determinada atitude. 



Enfim, a chamada para o livro até agora não foi feita. André Trigueiro traz nos primeiros capítulos muitas informações acerca do suicídio, com dados relevantes que mostram como este fenômeno é impactante no país apesar de os números ainda serem bem menores que nos grandes centros mundiais onde as estatísticas mostram números ainda mais assustadores. Vai falar ainda sobre fatores de risco, questões práticas, tópicos abordados por suicidólogos e por fim a abordagem espírita, sem parecer panfletário. Uma leitura leve e convidativa não somente a reflexão sobre o tema, mas sobre a própria experiência de estar vivo. Espero ainda nesta semana escrever mais sobre o assunto.

[Sobre]viver


Como recomeçar este blogue, já que agora proponho-me a uma temática nova, ainda não experimentada? não sei quando se chegará até aqui alguém que, interessado em seguir adiante, permita-se também continuar caminhando, com algum sentido. 

Eu desejo escrever sobre a vida, sobre o desejo de viver. Pode ser que um dia aborde o desejo de morrer como a opção para a vida não ser mais aquele caminho doloroso e sem perspectivas. Claro, não quero justificar o suicídio, mas sim a realidade da vida e das exigências que fazemos dela. Não entendo de suicídio, de psicologia, de gente. Acho que sequer entendo de mim. Mas o que eu quero eu sei: quero continuar vivendo, e vivendo de verdade.

É que em determinado momento da minha vida experimentei algo tão profundo e puro que não consegui mais continuar vivendo sem que o sangue que jorrasse de minhas veias não fosse um sangue pulsado por um motivo. A vida precisa ter um sentido, eu preciso ter uma utilidade para além de pagar contas e ter prazer vez ou outra. 

Então a minha opinião sobre o viver não consegue alocar o desejo de manter-se vivo; eu preciso experimentar a realidade de estar dando a vida. Clichê de Facebook: "Viver por algo que vale a pena morrer"