Livros: "Viver é a melhor Opção" - Parte 1

Com este post começo uma série de publicações que espero ser um fio condutor deste blogue: falar sobre leituras e audiências de assuntos que tratam da vida, do humano enquanto fome de viver.

Vou começar falando do Livro do jornalista André Trigueiro, chamado "Viver é a melhor opção - a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo" (clique aqui para ver no site do autor) O livro tem a 1a edição datada de maio de 2015.

Não me recordo como me interessei pelo jornalista André Trigueiro, apesar de já o conhecer da tevê. É claro que o tema do suicídio me chamou a atenção, além da abordagem a partir da Doutrina Espírita, que mesmo não sendo a minha confissão religiosa, é um assunto pelo qual eu também nutro uma curiosidade tremenda. Enfim, dois assuntos que juntos me moveram a comprar o livro imediatamente.

Como falar do suicídio? Eu experimentei o suicídio em minha família, no ano de 1994. O meu padrinho se matou com um tiro na boca, e diz-se que ele também assassinou uma outra mulher. Não quero entrar em maiores detalhes porém este cenário é suficiente para que os mais entendidos possam levantar já uma situação pela qual ele esteja vivendo. Pois bem, eu tinha 16 anos e ainda era muito ingênuo - acho que a maturidade demorou a chegar até mim - porém o assunto lá em casa foi tratado de forma bem serena, de sorte que ficasse somente a dor pela perda de alguém muito querido. Era o único parente que meu pai possuía na cidade, já que ambos vieram do interior de Minas Gerais tentar a vida já havia muito mais de vinte anos. 

Então o suicídio entrava como um fantasma na minha vida, juntando-se à leucemia (outro personagem que faz parte da minha experiência com a morte).

Anos depois experimentava uma depressão profunda. Já era um homem feito, com responsabilidades profissionais, sociais e familiares. Ocorre que a ideia de dar cabo à própria vida emergiu como possibilidade. Nada demais, nunca tentei me matar, porém iniciar uma carta de despedida e sentir-me apaziguado com a possibilidade de não mais estar entre os vivos acendeu uma luz ultra-amarela em minha vida, e foi quando busquei pela primeira vez ajuda médica.

Enfim, hoje tenho uma certa sensibilidade pelo tema suicídio, e a minha reação diante de um episódio onde alguém tira a própria vida é de profundo silêncio e respeito. Optei por não fazer julgamentos, tão pouco amenizar a situação. Em primeiro lugar o meu respeito pelos parentes enlutados, pela sensação dolorosa de perda mas também de decepção (outro dia comento sobre isso); e também um silêncio por conta de encaixar o que enxergávamos daquela pessoa para não compreender o porquê de determinada atitude. 



Enfim, a chamada para o livro até agora não foi feita. André Trigueiro traz nos primeiros capítulos muitas informações acerca do suicídio, com dados relevantes que mostram como este fenômeno é impactante no país apesar de os números ainda serem bem menores que nos grandes centros mundiais onde as estatísticas mostram números ainda mais assustadores. Vai falar ainda sobre fatores de risco, questões práticas, tópicos abordados por suicidólogos e por fim a abordagem espírita, sem parecer panfletário. Uma leitura leve e convidativa não somente a reflexão sobre o tema, mas sobre a própria experiência de estar vivo. Espero ainda nesta semana escrever mais sobre o assunto.

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