Cuidar de si e do outro - parte 2: A estética de si, o autoconhecimento

Dentro desta dinâmica do "Cuidado" com C maiúsculo que coloquei em texto anterior, e da necessidade que eu percebo, de que a humanidade precisa debruçar-se mais sobre o cuidar (de si e dos outros, com gratuidade), um tema surgiu de forma discreta porém com profundidade, e envolvi-me nele não somente por conta da questão que desejo tratar, mas principalmente por uma visão integral da vida. O autoconhecimento. Conhecer-se é fundamental para quem deseja viver bem, não obstante estarmos falando em cuidado para consigo e para com os outros.



Quem já não ouviu a expressão "conhece-te a ti mesmo"? O engraçado é que esta frase é daquelas que de tão geniais, faz um mesquinho julgar que é fácil. É como quando você está assistindo um atleta de alto nível executar um exercício de forma tão genial, que um erro mínimo do concorrente faz você imaginar que ele é ruim, ou não sabe fazer, e que você, assumindo na pele a genialidade do executor, imagina ter executado tal manobra perfeita, de tão fácil que o gênio a realizou. Esta frase faz isso conosco, e em nossa geração de redes sociais, em que todo mundo tem algo pra falar (inclusive eu, ora bolas), o conhecer-se a si mesmo submete-se a impressão que temos sobre as coisas que estamos fazendo, mesmo que mesquinhas e superficiais. Todo mundo se conhece perfeitamente, até que uma primeira maré de infelicidades faz desmoronar toda uma estrutura podre e falsa. Como a casa construída sobre a areia.

O conhecer-se a si mesmo sugere uma capacidade de aprender com os erros, acredito eu. É inevitável que não erremos nesta vida. Mas podemos também aprender com erros alheios. O autoconhecimento acontece com uma caminhada de vida, que vai iluminando a visão que já temos da existência, da realidade e que estamos inseridos e de uma constante avaliação e crítica de nossas crenças pessoais. Depois que passamos por esta intensiva formação, podemos ter alguma capacidade de cuidar dos outros. Mas isso não impede que o cuidado conosco não esteja finalizado: cuidar dos outros e de si é um processo constante.

Mas que a visão que temos sobre nós, nossas fraquezas (que sempre existirão) e pontos fortes (que podem ser melhorados mais e mais) nos ajuda no trabalho do cuidado com o outro, isso me parece pertinente. Sabedores do que somos capazes de fazer e suportar nos permite cuidar melhor do outro, pois saberemos que estamos fazendo o melhor possível, com qualidade. E tudo que é feito com qualidade, por menor que seja, nunca será desprezado.

A realidade da vida é conhecer-se e doar-se. Ao mesmo tempo. A vida é uma coisa só. 

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