... Meio ...


A vida ora é espantosa, medonha, terrível; ora é digna de silêncio contemplativo.

A realidade da vida parece-me ser construída. Etapas, degraus.

Existem episódios divisores de águas.

Minha experiência de base é a da vida calma, rasa, tranquila. Mas também de certa insatisfação, ingratidão com tantos e tamanhos benefícios.

A escrita me leva a isso: a ser grato, a querer viver e dar a vida.

É como se por baixo das cinzas houvesse a brasa prestes e emergir e gerar vida com o calor que suporta por tanto tempo a pressão da morte, do não-viver. As brasas escondidas e abafadas são a verdade sobre mim mesmo, de alguém que, diante de tantos benefícios recebidos, precisa retribuir, explodir, gerar mais vida.


Tenho uma dívida com a vida, e preciso pagar antes que ela não queira mais estar aqui.